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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

21.Fev.07

A VOZ DO SONHO

Gosto de falar com colegas mais velhos do mesmo curso. De ouvir as suas histórias, os seus medos, os seus enganos, mas também os seus triunfos, os seus sucessos, …

Essa experiência enriquece-nos de uma forma indescritível. Cada vez que partilho desses momentos, sinto que entro um pouco mais dentro da fantástica esfera da Medicina, sinto-me um pouquinho mais próxima do meu sonho e da sua realização.

Tenho amigos de anos diferentes na minha faculdade. E eles permitem-me perceber o que me espera nos anos que virão… Quando os de 2.º ano – o Nuno, o Zé ou a Rita - desabafam que determinado teste foi horrível, quando os de 3.º - a Bia e o Hugo - se queixam que é o pior ano, quando os de 5.º - o Pedro e a Sara - passam por mim sempre a correr e estão cheios de trabalhos e exames, ou quando os de 6.º, como o António, me falam de todos os hospitais a que vão, das cirurgias em que participam, dos congressos para que são convidados e, sobretudo, das especialidades desejadas.

Há também os amigos de Erasmus… e admiro o seu espírito resoluto e determinado frente à enormidade do desafio de vir estudar Medicina no estrangeiro. Ter de aprender o português… Conheço vários colegas de Erasmus e de diferentes países, o Marco é italiano, uma francesa - Jenifer, uma checa (a Eva)… Sempre que estamos juntos falamos sobre as diferenças culturais entre países e é impressionante como todas as barreiras desaparecem quando as pessoas têm sonhos comuns, ambições semelhantes.

E depois ainda há os amigos a estudar no estrangeiro. Estão lá porque o sonho foi mais forte do que as correntes, os obstáculos, as dificuldades… Estão lá porque a vocação foi a única coisa que sempre interessou, mais do que as notas cruéis e frias…

A sempre doce Catarina está em Badajoz. Uma grande amiga e, de certeza, uma fantástica médica. Humana e dedicada. Tal como eu, não entrou no primeiro ano. Juntas, sem esquecermos o nosso sonho, tentámos o segundo ano. Mas ela foi mais longe, aprendeu espanhol e inscreveu-se nos exames para acesso às universidades espanholas. Cá, mais uma vez recusaram-lhe o sonho, mas foi recebida no país vizinho, onde está imensamente contente. Como estamos no mesmo ano, sempre que nos vemos comparamos os cursos (e, claro, o de Espanho é muito mais prático), os nossos gostos particulares, as faculdades, os colegas, as experiências….

E depois há o João Duarte. Esse aceitou um desafio ainda mais arriscado e longínquo. Está a estudar Medicina na República Checa, no segundo ano. Apesar de o ambiente nem sempre ser o melhor, sobretudo devido às inúmeras saudades e à distância, afirma que não vai desistir. Nunca! Vai concretizar o seu sonho e cumprir os seis anos de Medicina e que, depois, tentará vir para Portugal completar a especialidade.

É com um brilho nos olhos que nos reunimos. Agora é muito mais do que a nossa forte amizade que já existia. Agora é o sentimento inigualável de que, apesar distantes, em Espanha ou na República Checa, fazemos parte de um mesmo mundo. É o sentimento de que o futuro promete a nossa reunião, já que além de eternos amigos, seremos colegas de profissão.

São vários sonhos, desejos, ambições comuns que se cruzam no dia a dia, nos corredores da faculdade, em português, espanhol, italiano, francês, checo; nos telefonemas de saudade; nos postais e nas cartas de lembrança; nas mensagens de telemóvel… São sacrifícios e lutas que se travam … e tudo isto pela Medicina. No final, todos sabemos que valerá a pena.

 

“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.”

Fernando Pessoa

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